“A escolaridade e a exclusão social” de Thomas S. Popkewitz
Ideias do autor:
Popkewitz, partindo da questão “ pode
a escolarização por si só garantir a edificação de sociedades mais justas?”,
defende a tese de que a escola moderna assume uma dupla função: esperança de
atingir uma sociedade mais progressista, justa e equitativa através dos futuros
cidadãos da Nação, as crianças; receio de certos grupos considerados perigosos
para o progresso da Sociedade, por se afastarem do ideal previsto nas reformas
curriculares e políticas da União Europeia e dos Estados Unidos.
De modo a “…questionar a
arquitetura de justificações desta reforma escolar, nomeadamente, em torno do
modo como a exclusão se inscreve nas políticas educativas de inclusão e na
investigação sobre a reforma”, o autor comenta cinco temáticas: as limitações
do fenómeno da equidade; a dupla função da escolarização; a produção de modelos
curriculares baseados na dupla qualidade das reformas; as reformas direcionadas
para aprendizagem permanente e o lugar da educação urbana na política educativa
dos Estados Unidos.
A política contemporânea e a
investigação educativa focam a problemática da equidade com o objetivo de
determinar o conjunto de normas usado para controlar a exclusão social. Neste
contexto, criam-se modelos curriculares de educação igual para todos, crendo-se que a inclusão escolar
total se resume ao “…aumento da representação e do acesso dos indivíduos e dos
grupos prejudicados pelos programas educativos…”.
Contudo, os críticos afirmam que a
seleção de conteúdos académicos com base na cultura de elite prejudica as
minorias, uma vez que as suas normas culturais não estão lá representadas. Por
outro lado, aqueles modelos fomentam a criação de dois tipos diferentes de
crianças:
A “criança universal”, consagrada
nas reformas curriculares da União Europeia e dos Estados Unidos como cosmopolita inconclusivo, isto é, o
aluno permanente que através do seu espírito crítico, respeita a diversidade, atua
com autonomia e responsabilidade, promove a mudança e a inovação, e cuja
formação se orienta para a resolução de problemas e para o trabalho em
comunidade, de modo a fomentar o progresso da sociedade de conhecimento. Este
processo pedagógico designa-se empowerment.
A “criança marginal”, classificada
como tendo necessidade de recuperação por não atingir um bom desempenho
académico.
Em suma, o autor corrobora a sua
tese ao concluir que as práticas de inclusão são simultaneamente de exclusão
devido à dicotomia esperança/receio presente na política do conhecimento
educativo.
Reflexão crítica:
Concordamos com Popkewitz porque
consideramos que a escola de massas está imbuída numa ilusão de
democraticidade, visto que se orienta para a igualdade de oportunidades de
acesso mas não de sucesso.
Efetivamente, as “crianças
marginais” apesar de estarem abrangidas pelos programas educativos representam
um receio por não se ajustarem às categorias de aprendizagem que, construídas
com base em aspectos culturais edificados ao longo da história, visam
identificar as qualidades que o aluno modelo deve possuir para ter sucesso
académico e contribuir para o desenvolvimento integral da Nação.
As práticas pedagógicas de inclusão
podem revelar-se um processo de exclusão lento se constituírem um fenómeno do
conhecimento socialmente organizado, já que contribuirão para insucessos
repetidos das minorias no currículo padrão e consequente canalização daquelas
para vias de ensino menos valorizadas socialmente.
Contestamos a adoção de políticas
que, aparentemente preocupadas com a diferença, mais não são do que uma
tentativa de pôr termo a essa diferença, por recearem que ela destrua a unidade
nacional.
Defendemos políticas baseadas numa conceção
inter/multicultural: que contemplem a pluralidade de diferenças existentes,
compreendendo que os alunos não funcionam como blocos homogéneos, sendo
fundamental a criação de dispositivos pedagógicos não estandardizados que
estimulem as qualidades de cada um e que cessem com receios estereotipados.
Parágrafos extra: Tendo em conta as abordagens anteriores, estamos
aptos responder à questão “ pode a escolarização por si só garantir a
edificação de sociedades mais justas?”.
A resposta é negativa porque a
esperança nos termos empowerment, cosmopolitismo, estudante permanente e na
expressão “todas as crianças” não é suficiente para atingir aquela meta, na
medida em que são termos persuasores.
O alcance de um futuro melhor só
será possível quando se atender à multiplicidade de aspetos inerentes ao ensino
e à aprendizagem (sobretudo os que fazem parte do currículo oculto), para a
mudar o que está errado e enveredar pelo caminho correto.
Referências:
Popkewitz, T. (2008). A escolaridade e a exclusão social. In J. Paraskeva
(org.). Educação e Poder:
Abordagens críticas e pósestruturais.Mangualde: Edições
Pegado, pp. 109-133
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