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quinta-feira, 18 de abril de 2013
Atividade 5 – Leituras temáticas recomendadas

“A escolaridade e a exclusão social” de Thomas S. Popkewitz


Ideias do autor:
Popkewitz, partindo da questão “ pode a escolarização por si só garantir a edificação de sociedades mais justas?”, defende a tese de que a escola moderna assume uma dupla função: esperança de atingir uma sociedade mais progressista, justa e equitativa através dos futuros cidadãos da Nação, as crianças; receio de certos grupos considerados perigosos para o progresso da Sociedade, por se afastarem do ideal previsto nas reformas curriculares e políticas da União Europeia e dos Estados Unidos.
De modo a “…questionar a arquitetura de justificações desta reforma escolar, nomeadamente, em torno do modo como a exclusão se inscreve nas políticas educativas de inclusão e na investigação sobre a reforma”, o autor comenta cinco temáticas: as limitações do fenómeno da equidade; a dupla função da escolarização; a produção de modelos curriculares baseados na dupla qualidade das reformas; as reformas direcionadas para aprendizagem permanente e o lugar da educação urbana na política educativa dos Estados Unidos.
A política contemporânea e a investigação educativa focam a problemática da equidade com o objetivo de determinar o conjunto de normas usado para controlar a exclusão social. Neste contexto, criam-se modelos curriculares de educação igual para todos, crendo-se que a inclusão escolar total se resume ao “…aumento da representação e do acesso dos indivíduos e dos grupos prejudicados pelos programas educativos…”.
Contudo, os críticos afirmam que a seleção de conteúdos académicos com base na cultura de elite prejudica as minorias, uma vez que as suas normas culturais não estão lá representadas. Por outro lado, aqueles modelos fomentam a criação de dois tipos diferentes de crianças:
A “criança universal”, consagrada nas reformas curriculares da União Europeia e dos Estados Unidos como cosmopolita inconclusivo, isto é, o aluno permanente que através do seu espírito crítico, respeita a diversidade, atua com autonomia e responsabilidade, promove a mudança e a inovação, e cuja formação se orienta para a resolução de problemas e para o trabalho em comunidade, de modo a fomentar o progresso da sociedade de conhecimento. Este processo pedagógico designa-se empowerment.
A “criança marginal”, classificada como tendo necessidade de recuperação por não atingir um bom desempenho académico.
Em suma, o autor corrobora a sua tese ao concluir que as práticas de inclusão são simultaneamente de exclusão devido à dicotomia esperança/receio presente na política do conhecimento educativo.

Reflexão crítica:
Concordamos com Popkewitz porque consideramos que a escola de massas está imbuída numa ilusão de democraticidade, visto que se orienta para a igualdade de oportunidades de acesso mas não de sucesso.
Efetivamente, as “crianças marginais” apesar de estarem abrangidas pelos programas educativos representam um receio por não se ajustarem às categorias de aprendizagem que, construídas com base em aspectos culturais edificados ao longo da história, visam identificar as qualidades que o aluno modelo deve possuir para ter sucesso académico e contribuir para o desenvolvimento integral da Nação.
As práticas pedagógicas de inclusão podem revelar-se um processo de exclusão lento se constituírem um fenómeno do conhecimento socialmente organizado, já que contribuirão para insucessos repetidos das minorias no currículo padrão e consequente canalização daquelas para vias de ensino menos valorizadas socialmente.
Contestamos a adoção de políticas que, aparentemente preocupadas com a diferença, mais não são do que uma tentativa de pôr termo a essa diferença, por recearem que ela destrua a unidade nacional.
 Defendemos políticas baseadas numa conceção inter/multicultural: que contemplem a pluralidade de diferenças existentes, compreendendo que os alunos não funcionam como blocos homogéneos, sendo fundamental a criação de dispositivos pedagógicos não estandardizados que estimulem as qualidades de cada um e que cessem com receios estereotipados. 
 
Parágrafos extra: Tendo em conta as abordagens anteriores, estamos aptos responder à questão “ pode a escolarização por si só garantir a edificação de sociedades mais justas?”. 
A resposta é negativa porque a esperança nos termos empowerment, cosmopolitismo, estudante permanente e na expressão “todas as crianças” não é suficiente para atingir aquela meta, na medida em que são termos persuasores.
O alcance de um futuro melhor só será possível quando se atender à multiplicidade de aspetos inerentes ao ensino e à aprendizagem (sobretudo os que fazem parte do currículo oculto), para a mudar o que está errado e enveredar pelo caminho correto.

Referências: Popkewitz, T. (2008). A escolaridade e a exclusão social. In J. Paraskeva (org.). Educação e Poder: Abordagens críticas e pósestruturais.Mangualde: Edições Pegado, pp. 109-133
 
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